Divulgando o seu Trabalho (Edição nº 52)

# TESE DE DOUTORADO

>> "Trabalho, família e amizade entre maricultores/as de uma associação do sul da ilha de Florianópolis: a AMPROSUL", por Acácio Tadeu de Camargo Piedade 

(Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em Antropologia Social.)

Resumo:

Construída a partir de uma pesquisa de campo realizada na Associação de Maricultores e Pescadores Profissionais do Sul da Ilha (AMPROSUL), formada por pequenos/as produtores/as de ostras e/ou mariscos, esta tese debruça-se sobre o espaço de interlocução entre os discursos técnico-científicos (governo, pesquisadores, etc.), de um lado, e os dos/as maricultores/as, de outro. Para as instituições governamentais e parceiras vinculadas à maricultura, diante do objetivo de conciliar desenvolvimento econômico e inclusão social e econômica dos/as produtores/as, a alternativa é transformar o caráter familiar e artesanal das produções: organizá-los/as em associações/cooperativas, profissionalizá-los/as e padronizar suas produções, de modo que possam participar do arranjo produtivo local. Neste sentido, as políticas públicas dirigidas à maricultura estão voltadas para a organização dos/as produtores/as por meio de associações/cooperativas e a estruturação da cadeia produtiva, do arranjo produtivo local (APL). Para os/as maricultores/as, os tempos já foram melhores. Desejam ser incluídos/as no mercado, no arranjo, e reclamam do que consideram exigências e normas excessivas, mau uso dos recursos destinados à maricultura e privilégios em relação aos/às “grandes” produtores/as. Entendem que precisam se organizar para que suas demandas sejam atendidas. Acionam familiares e amigos/as para contornarem problemas relativos ao trabalho e ao exercício da atividade, como a falta de mão de obra. As falas dos/as maricultores/as indicam a existência de conflitos e de tensões neste processo de transformação do setor. Ao mesmo tempo, discursos técnico-científicos procuram explicar o porquê das dificuldades de estes/as produtores/as atenderem às novas exigências que se impõem em relação à organização em torno de associações/cooperativas e do arranjo. Diagnósticos “negativos” sugerem que essas dificuldades estão associadas, por exemplo, ao fato de não possuírem organização, cooperação/solidariedade, etc. O parâmetro de comparação, no caso, é a construção de vínculos de cooperação como estratégia competitiva. Seguindo as falas dos/as mariculores/as e a pista de que está em curso um processo crescente de “mercantilização” da maricultura, apoiado no modelo de desenvolvimento adotado pelo governo, esta tese propõe ao menos duas voltas no parafuso: 1ª) Problematizar os discursos técnico-científicos por seu viés economicista. Tal atitude apóia-se em discussões críticas que se desenrolam nas ciências humanas sobre as implicações da lógica utilitária, sustentadas por determinadas teorias, e abre espaço para tratar os problemas em termos de exclusão social, econômica e simbólica dos/as pequenos/as produtores/as e refletir sobre a existência de relações de poder assimétricas; e 2ª) Criar outra narrativa sobre os/as produtores/as sem a ênfase na “falta”, marcando a importância dos vínculos de amizade e parentesco para eles/as no exercício da atividade. Neste contexto, misturam-se trabalho, família e amizade, o que permite que essas pessoas enfrentem as dificuldades que se lhes apresentam. Essa atitude apoia-se nas mesmas discussões críticas que problematizam a lógica utilitária e exploram a existência de outra modalidade de ação marcada por uma lógica não utilitária.

Palavras-chave: Maricultura, Economia Solidária, Arranjo produtivo local, Associativismo/Cooperativismo, Utilitarismo/não utilitarismo, Dádiva/sacrifício.

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Sobre a autora:

Renata Apgaua Britto atua na CVA como coordenadora geral, desde sua fundação na década de 90. Fez graduação em Ciências Econômicas e mestrado em Sociologia na UFMG. Na UFSC, fez o doutorado em Antropologia Social e, atualmente, trabalha no Laboratório de Pesquisa em Imagem e Som (LAPIS), vinculado ao Departamento de História do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. O LAPIS produz animações utilizando a técnica stop motion. Está produzindo a animação Super Plunf, que trata das transformações no preparo e consumo de alimentos no ambiente doméstico. E oferece oficinas de stop motion com recortes de papel para alunos da graduação da UFSC e professores/as da rede pública de ensino municipal. Renata também trabalha no Ponto de Cultura Arreda Boi. O Arreda é um grupo localizado na Barra da Lagoa, Florianópolis, que atua com cultura, educação e artes populares, com foco no boi de mamão.
 

Atualizado em 27/09/13