Coluna (Edição nº 47)

"I Seminário sobre povos tradicionais, fronteiras e geopolítica. Uma proposta para a Amazônia"
23 - 26 de setembro de 2008
Manaus/AM
por José Exequiel Basini Rodrigues (*)


A Universidade Federal do Amazonas / UFAM, através do Departamento de Antropologia/ICHL, o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social /Museu Amazônico, em parceria com o instituto de Ciências Humanas e Letras- ICHL, a Pró – Reitoria de Extensão e Interiorização – PROEXTI e a Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC e com o apoio da FAPEAM realizaram o I Seminário Sobre Povos Tradicionais, Fronteiras e Geopolítica na America Latina: Uma proposta para a Amazônia. Este evento ocorreu de 23 a 26 de setembro de 2008, nos auditórios Rio Solimões e Rio Negro/ICHL, e contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Guadalajara e Universidade de São Luis de Potosi (México), Universidade de Antioquia (Colômbia), a Associação de Universidades Amazônicas – UNAMAZ, assim como da Universidade Federal de Brasília e da Universidade Federal do Amazonas.

O seminário refletiu sobre a situação atual dos povos tradicionais amazônicos. Abordou aspectos vinculados à geopolítica e as fronteiras nacionais, focalizando uma proposta para a Amazônia, a partir dos aportes de pesquisadores estrangeiros e nacionais, acadêmicos, estudantes, representantes dos poderes públicos, organizações da sociedade civil, e público em geral interessado na temática em questão. Procurou estimular a cooperação técnico–científica entre universidades latino-americanas em nível interinstitucional e interdisciplinar, fortalecer a antropologia acadêmica no norte do país e a pós-graduação em Antropologia Social, recentemente fundada no Estado de Amazonas. O seminário também refletiu e avaliou criticamente ferramentas conceituais, teorias da antropologia e a sua pertinência para o conhecimento sobre a Amazônia e suas populações. Por último, procurou-se estabelecer um canal de diálogo com os órgãos do Estado do Amazonas e órgãos federais diretamente voltados para os temas discutidos. No Seminário “Povos tradicionais, fronteiras e geopolítica na América Latina: uma proposta para a Amazônia” foram realizadas seis mesas-redondas e reuniões temáticas com os convidados estrangeiros e de outros Estados brasileiros.

Ainda, e dentro da proposta e dinâmica do seminário, houve espaço para as perguntas e o diálogo com os participantes do auditório; ali estiveram presentes representantes de movimentos sociais, professores, estudantes e público em geral. Também o ágape de boas vindas, com a culinária regional amazônica, foi preparado e oferecido pela Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro – AMARN. Já, no ultimo dia, Mãe Emilia da Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas realizou as bênçãos e saudações de despedida.

O seminário iniciou-se com uma Mesa de Abertura, integrada com representantes de diversas Instituições: Reitoria da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Diretoria do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), Coordenação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), Diretoria do Instituto de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Amazonas (ICHL – UFAM), Coordenação da Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS – UFAM), Chefia do Departamento de Antropologia (DAN- UFAM), coordenação do Departamento de Mulheres da Coordenadoria de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Coordenação do I Seminário sobre Povos Tradicionais. A função de todos os representantes das instituições mencionadas consistiu em refletir brevemente sobre a relevância temática do evento científico em questão.

O número de participantes do seminário superou a média esperada de 120 participantes, passando para 323 inscritos. Isto levou à utilização de um segundo auditório que ficou conectado de forma áudio-visual ao principal.

O número de palestrantes convidados (externos) também aumentou. Passou-se de quatro para sete conferencistas. Também a representação de professores vindos de países latino-americanos (+Colômbia, Venezuela) aumentou de dois para quatro. E, finalmente, de três universidades convidadas inicialmente passou-se para seis (+ San Luis de Potosi, Antioquia, UNAMAZ).

Outro resultado importante foi a participação de público alvo diversificado, professores e alunos de diferentes programas e cursos das universidades estaduais e federais, de órgãos estaduais e federais, organizações não governamentais, movimentos sociais, entre outros.

Outros resultados a destacar:

- Abordagem e discussão de temas de interesse para a Amazônia;
- Promoção e participação de profissionais/ pesquisadores de referência em temas como povos tradicionais, fronteiras, Estados nacionais, geopolítica, movimentos sociais, globalização, provenientes do México, Venezuela, Colômbia e de universidades brasileiras, de instituições da região e da Universidade Federal do Amazonas, fomentando a cooperação científica a fim de encaminhar propostas de intervenção, projetos de pesquisa, publicações e demais ações de interesse das instituições envolvidas;
- Fortalecimento do recém criado Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – PPGAS/UFAM que, neste ano, iniciou suas atividades com a primeira turma do curso de Mestrado em Antropologia Social. Neste sentido, o evento científico oportunizou um canal de diálogo não apenas entre professores do programa e alunos desta área de concentração, mas também entre aqueles e as diversas organizações da sociedade civil interessadas em viabilizar com a academia a troca de conhecimentos, visões e experiências;
- Criação de incentivos para desenvolvimento da produção científica na área de Ciências Sociais;
- Estabelecimento de um canal de diálogo com os órgãos do Estado do Amazonas e órgãos federais diretamente voltados para os temas discutidos;
- O evento realizado fortaleceu e constituiu novas redes de intercâmbio entre países da América Latina, universidades brasileiras, núcleos de pesquisa das universidades participantes no seminário, e grupos de pesquisa dedicados ao estudo de temas como fronteiras e geopolítica. As reuniões temáticas estabeleceram o primeiro ensaio para estabelecer convênios de cooperação técnico–científica e cultural, assim como de co-participação em outros intercâmbios acadêmicos no nível interinstitucional.


(*) José Exequiel Basini Rodrigues
Professor Adjunto I do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Amazonas. Possui graduação em Filosofía pelo Instituto Universitario Taborin (1989) Córdoba - Argentina, graduação em Ciências Antropológicas - Universidad de la República (1996) Montevidéu - Uruguai, mestrado e doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000 e 2003). Tem experiência na área de antropología indígena, com ênfase na teoría da ação do mito, sistemas médicos indígenas e etnologia da intervenção, atuando principalmente nos seguintes temas: estéticas territoriais, imaginário, estratégias e alteridade, narrativas nativas, processo civilizatório, tecnologias do pensamento, poder e conhecimento.

Atualizado em 27/11/08

 
 

 

Topo