Coluna (Edição nº 30)

"'O melhor filme da minha vida!' O ultra-som, o corpo grávido e o corpo fetal"[1], por Lilian Krakowski Chazan (*)

Introdução

Investigando a construção social do feto como Pessoa mediada pela tecnologia de imagem, para a tese de doutorado, desenvolvi uma etnografia focalizando exames de ultra-som em três clínicas privadas no Rio de Janeiro. No total observei nas três clínicas, A, B e C, cerca de 200 exames de ultra-som. Aqui focalizo alguns dos aspectos peculiares à ultra-sonografia obstétrica e seus desdobramentos. Existe uma fragmentação e uma ‘dessubjetivação’ do corpo dos sujeitos intrínseca às tecnologias de imageamento médico, mas a ultra-sonografia obstétrica apresenta características bastante singulares. No ultra-som ocorre uma interação entre o profissional e o paciente que não acontece nas outras tecnologias de imagem médica. Em termos êmicos, é uma tecnologia ‘operador-dependente’[2]. Nas clínicas observadas, os profissionais são remunerados por ‘produtividade’, o que significa que quanto menor o tempo gasto na realização de cada exame, maior o ganho financeiro do profissional. Este arranjo evidencia a importância do significado de tudo que se passa durante o exame para além do ‘diagnóstico’ ultra-sonográfico estrito.

Interatividade

Ao lado da rotina de realização dos exames, havia grande maleabilidade de manuseio dos operadores, além de diversas variações possíveis em relação a um protocolo que, embora flexível, era relativamente estável e diferente em cada uma das clínicas. Uma atividade presente em grande parte das sessões nas três clínicas era a de ‘mostrar o neném’. O modo como cada profissional cumpria esta função variava. A comunicação à grávida de diagnósticos desfavoráveis, quando ocorria durante o exame, era feita de modo bastante cuidadoso por todos os profissionais observados, mais lacônico ou mais prolixo, dependendo de cada um. Quando não surgiam patologias ocorria uma apropriação pelos atores presentes, inclusive os ultra-sonografistas, que transformava o exame em um evento no qual o aspecto médico se tornava um tanto obscurecido. A interatividade intrínseca à ultra-sonografia permite a construção do ultra-som como espetáculo e objeto de consumo. Pareceu haver quatro tipos de uso do ‘mostrar o neném’, com objetivos distintos, que por vezes se superpunham. O primeiro tipo consistia em ‘ensinar a ver’, dirigido em especial à gestante. Esta atividade ao mesmo tempo estava fortemente calcada na credibilidade e na competência do médico e funcionava como um reforço a elas, quando a gestante e/ou o acompanhante ‘conseguiam’ ver o que estava sendo mostrado. Dra. Lúcia[3], na clínica B, utilizava diversas comparações bem coloquiais para tornar as imagens inteligíveis para as gestantes. Já o dr. Sílvio, na clínica C, usava jargão médico para ‘mostrar o bebê’, mesmo com clientes leigos, revestindo suas explicações de um caráter mais científico e ‘psicologizado’ do que os outros profissionais. A segunda utilização do ‘mostrar o neném’ parecia ter como objetivo a tranqüilização da gestante e/ou dos acompanhantes, havendo ou não preocupação aparente. Os médicos tinham noção clara da importância da palavra e das atitudes que acalmavam as gestantes. Dr. Sílvio dizia: “Tem que dizer muitas vezes que está tudo bem. Fiz uma estatística [ri]: se [durante o exame] eu disser só duas vezes que está tudo bem, elas acham que só está 20% bem, se eu disser cinco vezes, ‘tá 50% bem. Então tenho que dizer dez vezes que está tudo bem. Aí elas saem tranqüilas de que está tudo 100% bem.[4] Uma terceira finalidade do ‘mostrar o neném’ parecia ter como propósito fazer a gestante apreciar o que via. Os profissionais diziam visar “melhorar a relação da mãe com o bebê” e achavam que o ultra-som era um bom instrumento para atingir tal objetivo. Dr. Henrique, da clínica A, dedicava-se de modo especial até obter o efeito de apreciação da gestante e seu esforço era redobrado quando a gestante demonstrava apatia ou desagrado diante das imagens. Nessas ocasiões era freqüente focalizar partes do corpo do feto não sujeitas a apreciações estéticas, mão, perfil, ou o sexo fetal. As imagens fragmentadas do corpo eram acolhidas favoravelmente, em geral com “Que gracinha”, “Que lindo!” e ali as imagens tornavam-se equivalentes ao ‘bebê’, como se ele já estivesse fora do útero. O quarto tipo de atividade, muito valorizada por gestantes e acompanhantes, várias vezes instigada pelos profissionais, era a determinação do sexo fetal, momento-chave na transformação do feto em Pessoa. Além de ganhar um nome, surge uma atividade discursiva construindo o gênero do feto, calcada nas noções vigentes no senso comum acerca do tema. Independente da solicitação das gestantes, o pressuposto nas três clínicas parecia ser o da existência de curiosidade pelo sexo fetal. Sumarizando, o aspecto relevante do ‘mostrar o neném’ é o fato de não estar vinculado a questões diagnósticas, evidenciando estar em jogo a construção de uma cultura visual específica que, ao mesmo tempo, reforça o status de autoridade científica que a imagem técnica detém e pretende estreitar os laços afetivos da gestante com seu feto. Nesse processo, evidencia-se que as imagens fetais, que a rigor correspondem a partes fragmentárias do corpo fetal, são o elemento em torno do qual o feto é construído socialmente como um sujeito, subjetivado, identificado e generificado pelos atores. Este constructo é um dos resultados das negociações que ocorrem em torno das imagens fetais.

Espetáculo e consumo

Outro aspecto pregnante do universo etnografado era a transformação do exame ultra-sonográfico em si como objeto de desejo e de consumo. Este segundo constructo articula várias questões. Os profissionais têm um papel relevante na produção desse estado de coisas, mas não são os únicos a agir nesse sentido. Dependendo da formação do médico (diagnóstico por imagem ou ginecologia/ obstetrícia) as atitudes e encantamento demonstrados por ele/a diante das imagens fetais eram diferentes. Para aqueles com formação em imagem, o ultra-som é ‘apenas mais uma’ tecnologia, além de o contato face a face com gestantes ser um problema que não existe no uso de outras tecnologias. Em contraste, para os médicos formados em obstetrícia, acostumados à opacidade dos abdomens, o ultra-som tinha uma qualidade ‘mágica’, permitindo visualizar aspectos antes inacessíveis. Para estes profissionais, as imagens fetais continham em si um caráter de espetáculo. Em virtude desse entusiasmo, demonstrado de modo mais ou menos claro, ficou evidente durante a observação que, na ausência de patologias, os médicos tinham um papel fundamental na transformação ou não do exame em espetáculo, mesmo não perdendo de vista que atuavam em um terreno já culturalmente estabelecido de maneira sólida: os clientes vinham para a ultra-sonografia com uma expectativa de espetáculo que os médicos preenchiam à perfeição. A evolução tecnológica que tornou as imagens mais facilmente decodificáveis, associada à ‘educação’ do olhar dos médicos e dos leigos, atuou em um sentido duplo: facilitou o entendimento das imagens e permitiu a construção de novos diagnósticos, ao mesmo tempo que possibilitou a transformação do exame em espetáculo – e não necessariamente nessa ordem. Nos dias atuais, nas sociedades urbanas, tornou-se impensável uma gestação sem um exame ultra-sonográfico, mas o aspecto ‘lazer’, mesclado com a medicalização da gravidez que aqui discuto parece ser peculiar ao universo observado[5]. Era comum haver uma ‘platéia’ para ‘ver o neném’. Essa transformação em espetáculo era um modo de antecipação da existência social do feto, num processo de inclusão social equivalente a uma couvade urbana, contemporânea, mediada pela tecnologia de imagem[6]. Em uma sociedade na qual a visualidade e o processo de medicalização prevalecem, esse ritual se passa de uma forma medicalizada, precoce e visual. A atuação dos médicos é fundamental no processo de metamorfose do feto em ‘bebê real’, presente ‘fora’ do ventre materno, e ocorre mediante comentários que faziam das imagens fetais esfumaçadas um verdadeiro ‘neném’. Dra. Lúcia nisso era imbatível: “[Aponta para a tela] Ó os cabelo! [sic] É preto. Quando é muito assim é preto. Ela [aponta a criança presente na sala] nasceu cabeluda?”. Outro modo de ‘tornar o bebê real’ ocorre quando, no exame das 12 semanas, ao visualizar o esboço dos membros do feto, o médico sublinha a diferença com as imagens anteriores, dizendo: “Antes era um grãozinho de feijão, agora já é um bebê.”. ‘Ver’ braços e pernas promovia o ‘upgrade’ de ‘vegetal’ para ‘ser humano’, e o embrião dava um salto qualitativo para ‘bebê’. No tocante à fragmentação, a visibilização da genitália fetal era outro momento no qual a parte era transformada no todo. Logo que se evidenciava o sexo na imagem, o feto se transformava em ‘ela’, ou ‘ele’, ganhando um nome. Digitá-lo sobre a imagem da genitália era a síntese clara do processo: a ‘foto’, nomeada, ‘era’ a identidade do feto. Existe uma realimentação entre a produção do prazer de ver, com conseqüente transformação do ultra-som em espetáculo, e questões relativas ao mercado. Um fator que contribui de modo significativo para a espetacularização da ultra-sonografia é a necessidade de formação e manutenção de uma clientela. Por outro lado, tal processo só é eficaz porque inscrito numa cultura na qual a visualidade e a espetacularidade são cotidianas e o escrutínio do interior do corpo e sua fragmentação imagética são moeda corrente entre os atores. A partir do momento que a mulher se descobre grávida constrói-se a expectativa de ‘ver o neném’ e acompanhar visualmente seu desenvolvimento. Os médicos, ao atenderem ao desejo de ‘ver’, ao mesmo tempo estimulam curiosidade e demanda e assim fecha-se o ciclo. A possibilidade de ‘consumir’ imagens fetais é um aspecto constitutivo da espetacularização da imagem fetal. A obtenção e a posse destas imagens transformaram-se em itens obrigatórios para as gestantes e familiares. Existe um sentido de controlar e ‘apropriar-se’ do feto, atravessado pela confusão da imagem com a coisa. No limite, as crianças são porta-vozes perfeitos desta confusão, mas os adultos não ficam muito atrás delas, em especial quanto ao ‘tamanho’ do feto, como quando sua imagem surge expandida na tela e eles reagem com “Como está grande!”. A prática de todos dirigirem-se ao feto na tela ou falarem em tom pueril como se fossem o próprio feto torna evidente a equação estabelecida entre este e a sua imagem virtual. A presença da imagem cinzenta na tela torna-se equivalente à presença ‘ao vivo’ do feto entre os presentes. Várias vezes quando se tratava de sessões para determinação do sexo fetal e as expectativas do casal haviam sido satisfeitas, os agradecimentos efusivos ao profissional após o exame provocavam a nítida impressão de que era o médico quem havia ‘feito um bebê’ para o casal[7], reforçando a hipótese de que a ultra-sonografia obstétrica antecipa a existência social do feto em termos da rede de relações sociais e constrói a ‘realidade’ do mesmo para os futuros pais. O sentimento de ‘realidade’ a partir da produção das imagens fetais é um fator relevante para a construção do prazer de ver tais imagens. Levar para casa ‘fotos’ do ‘bebê’ além das imagens do laudo do exame é prática corriqueira. O mesmo ocorre com os vídeos com os exames gravados em seqüência, que se transformam em sessões domésticas, ocasiões sociais nas quais amigos e parentes são chamados a participar.

P: [Entusiasmado] É o melhor filme da minha vida!... Mas é curtinho!
Dra. Lúcia: [Entregando a fita] Mas pode ver várias vezes...
P: [Rindo] Pode fazer várias sessões... com certeza! Às oito, oito e meia, nove... (Clínica B).

O vídeo, além de estender o ‘espetáculo’ para os que não podiam estar presentes ao exame, servia para a própria gestante rever inúmeras vezes, reassegurando-se de que “o neném está bem”. Além da ‘diversão’, o vídeo detinha um sentido documental mais acentuado do que as fotos, por a imagem em movimento estar impregnada da conotação de ‘vida’. O vídeo seria a ‘prova’ da existência viva do feto. Outro aspecto digno de nota é que o movimento registrado na fita diminui a sensação de fragmentação corporal presente nas imagens estáticas. Nas três clínicas, várias vezes tive a impressão de que os profissionais se compraziam com a obtenção de ‘boas incidências’, uma preocupação ‘artística’ que transcendia o aspecto exclusivamente médico do exame.

Considerações finais

A transformação do exame em espetáculo e objeto de consumo é fundamental dentro do processo de construção do feto como Pessoa, conferindo-lhe visibilidade numa cultura na qual a visualidade é preponderante. No universo etnografado é construída uma cultura visual compartilhada pelos atores, na qual a fragmentação e a indistinção das imagens cinzentas do corpo fetal são ignoradas e naturalizadas, e transformadas em algo que é, inclusive, diferente da ‘coisa em si’. Ocorre um salto temporal, quando o feto (a ‘coisa em si’) é referido, nos discursos dos atores, como ‘bebê’ ou ‘neném’. A revelação do sexo fetal é o ponto alto desse processo. Canclini (2005), na discussão em que visa recontextualizar o fenômeno do consumo, não apenas assinala que este é o cenário de novas racionalidades em termos econômicos, sociopolíticos e psicológicos, como sustenta que o consumo detém um papel relevante para a construção de identidades contemporâneas em um panorama globalizado. Para este autor, “as mudanças na maneira de consumir alteraram as possibilidades e formas de se exercer a cidadania” (Canclini, 2005:29). Segundo ele, as questões constitutivas de identidades no tocante ao lugar e aos direitos dentro da sociedade passam a ser respondidas de forma concreta por meio do consumo privado de bens. Obter e consumir imagens fetais, para além das questões diagnósticas pré-natais, antecipa, constrói e reforça novas identidades – fetais e maternas[8]. Os atores no universo observado eram especialmente criativos no tocante à subjetivação das imagens fetais (Chazan, 2005a:225-229, 271-300; 2005b). A construção da identidade materna, documentada nas imagens, diz respeito à antecipação da maternidade. A ênfase na visão do interior do corpo grávido e na busca das imagens coadunam-se com a voga biologizante, fisicalista, de culto ao corpo, moeda corrente no universo observado. A presença do corpo da mulher, nos discursos e imagens observados na etnografia, era inversamente proporcional à do feto. Esse obscurecimento vem sendo discutido por algumas autoras feministas (Petchesky, 1987; Duden, 1993; Stabile, 1998). O produto final é uma antecipação da existência social do feto, mediada pela tecnologia, modelado em termos da cultura visual, da cultura do corpo e da cultura do consumo. As imagens de fragmentos do corpo fetal tornam-se equivalentes à ‘prova de verdade’ de sua existência no mundo, fora do útero materno, como um ‘nascimento virtual’ antes de vir à luz de fato. A construção do prazer de ver as imagens fetais que legitima e estimula esse ‘nascimento virtual’ tem raízes múltiplas, e a pluralidade de utilizações e significados é inerente à tecnologia de ultra-som: a medicalização da gravidez e do feto, o prazer de ver as imagens fetais, o consumo destas, a produção de conhecimento e entretenimento vinculados à codificação da gravidez em termos médicos fazem todos parte de um mesmo processo, “um grande empreendimento de aculturação médica” (Foucault, 1998:200). Um ponto fundamental é o fato de que, ao consumirem imagens fetais, as gestantes detêm um papel essencial como agentes ativas na rotinização do ultra-som na gravidez. Internalizam-se as disciplinas, a gestação é monitorada passo a passo e no decurso desse processo reforça-se a convicção de que o uso de tecnologias e a obediência às recomendações médicas são imprescindíveis para que a gravidez seja levada a termo de maneira bem-sucedida. É construído um olhar fragmentador e escrutinador nos mínimos detalhes que produz corpos medicalizados desde muito antes do nascimento. As vivências da gravidez tornam-se quase inarredavelmente ‘dependentes’ da tecnologia, em uma reconfiguração que poderíamos chamar de híbrida, ou cyborg, como preferem alguns autores[9]. O ultra-som leva ao limite máximo a possibilidade de vigilância na gestação, quando as próprias mulheres passam ativamente a desejar e a pedir para ‘ver’ o feto. Em última instância, essa tecnologia pode ser compreendida como embodiment do poder disciplinar, normatizador, subjetivante e, portanto, constitutivo de novos sujeitos: gestantes e fetos.


Referências bibliográficas

ARNEY, William Ray. Power and the Profession of Obstetrics. Chicago & London: The University of Chicago Press, 1982.
CANCLINI, Nestor Garcia. Consumidores e cidadãos. Conflitos culturais da globalização. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2005.
CHAZAN, Lilian Krakowski. “Meio quilo de gente!” Produção do prazer de ver e construção da Pessoa fetal mediada pela ultra-sonografia. Um estudo etnográfico em clínicas de imagem na cidade do Rio de Janeiro. 2005. 2v. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2005a.
_______ “Se você está dizendo que é, então é.” Produção de verdades médicas e não-médicas na prática da ultra-sonografia obstétrica. In: 1º CONGRESO LATINOAMERICANO DE ANTROPOLOGIA, 2005b, Rosário, Argentina. CD-Rom. Trabalho apresentado no Simpósio 13: ANTROPOLOGIA DA CIÊNCIA.
DAVIS-FLOYD, Robbie & DUMIT, Joseph (Eds.). Cyborg Babies: From Techno-Sex to Techno-Tots. New York & London: Routledge, 1998.
DOWNEY, Gary L. & DUMIT, Joseph (Eds.). Cyborgs and Citadels: Anthropological Interventions in Emerging Sciences and Technologies. Santa Fe, New Mexico: School of American Research Press, 1997.
DUDEN, Barbara. Disembodying Women: Perspectives on Pregnancy and the Unborn. Cambridge, Massachussets & London, England: Harvard University Press, 1993.
FOUCAULT, Michel. A política de saúde no século XVIII. In:___ Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1998. p.193-207.
HARAWAY, Donna. A Cyborg Manifesto: Science, Technology, and Socialist-Feminism in the Late Twentieth Century. In: ____ Simians, Cyborgs, and Women. The Reinvention of Nature. New York: Routledge, 1991. p.149-181.
PETCHESKY, Rosalind P. Fetal Images: The Power of Visual Culture in the Politics of Reproduction. In: STANWORTH, M. (Ed.). Reproductive Technologies: Gender, Motherhood and Medicine. Cambridge & Minneapolis: Polity Press and the University of Minnesota, 1987. p.57-80.
RIVAL, Laura. Androgynous parents and guest children: the Huaorani couvade. J. Roy. anthrop. Inst. v.4, n.4, p.619-642, Dec. 1998.
STABILE, Carol. Shooting the Mother. Fetal Photography and the Politics of Disappearance. In: TREICHLER, P.; CARTWRIGHT, L.; PENLEY, C. (Eds.). The Visible Woman. Imaging Technologies, Gender, and Science. New York & London: New York University Press, 1998. p.171-197.


[1]  Este artigo é uma versão reduzida do paper de mesmo título apresentado na VI RAM, Montevidéu, 2005. Versão integral no CD-Rom do evento.

[2] Isto significa que o médico seleciona os aspectos que vai focar no exame à medida que o realiza. No Brasil os exames são sempre realizados por médicos (em contraste com países nos quais técnicos preenchem a função).

[3] Nome fictício, como todos aqui.

[4] Os termos sublinhados correspondem a ênfases dos próprios atores.

[5] Utilizo ‘medicalização’ no sentido delineado por Foucault (1998). Sobre medicalização da gravidez, ver Arney (1982).

[6] Seria interessante realizar um estudo comparativo entre couvades de diferentes grupos sociais, incluindo as sociedades urbanas. Cf. o artigo de Rival (1998) sobre a couvade entre os Huaorani na Amazônia peruana.

[7] O que, em certa medida, não deixava de ser verdade.

[8] Por um outro prisma, ainda relacionado ao consumo, vale assinalar que as grávidas, ao se lançarem em busca de roupas e objetos para seus fetos, em especial após tomarem conhecimento do sexo fetal, ao mesmo tempo se constituem identitariamente como mães – pois já estariam se ‘dedicando’ desse modo aos filhos –, antes do nascimento, assim como dão início a um processo de construção de identidade generificada dos futuros filhos ao consumirem objetos e roupas codificados em termos de gênero.

[9] Destacando Haraway (1991), Downey & Dumit (1997), Davis-Floyd & Dumit (1998), entre outros.


(*) Lilian Krakowski Chazan é doutora em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social - Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
 

 

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