Artigo Atual (Edição nº 53)
 

>> "Fome do ouro e fama da obra. Antonio da Costa Peixoto e a “Obra Nova de Lingoa Geral de Mina. Alianças, proximidades e distâncias de um escritor português no Brasil colonial do século XVIII", por Fernando Araujo

Resumo:

A trajetória de Antonio da Costa Peixoto – português que migrou para as minas brasileiras no início do século XVIII – lança luz sobre o manuscrito de sua autoria, importante documento acerca da sociedade brasileira e as relações com os escravos africanos no interior de um regime escravocrata.

Antonio da Costa Peixoto escreveu a “Obra Nova de Lingoa Geral de Mina”, registro da linguagem utilizada pelos escravos africanos em Minas Gerais. Do autor nada se conhecia até este momento, com exceção de dois manuscritos: o mais antigo (1731) depositado na Biblioteca Nacional de Lisboa, e o outro (1741) na Biblioteca Pública de Évora. Com o decorrer do tempo, cresceu a percepção sobre sua importância: 1. no campo da linguística; 2. no terreno das religiões de matriz africana (termos registrados no início do século XVIII ainda são usados cotidianamente nos candomblés brasileiros); 3. no universo das relações entre brancos e negros (os diálogos da “Obra Nova” escancaram a tensão e violência de uma sociedade escravocrata); 4. na investigação dos laços entre Brasil e Portugal (a imigração de minhotos durante o ciclo do ouro, a organização administrativa da Colônia).

Este ensaio, extraído de trabalho mais amplo, partiu de pesquisas em arquivos históricos brasileiros e portugueses e de investigações nos locais onde Antonio da Costa Peixoto viveu e transitou, particularmente São Bartolomeu, Casa Branca, Cachoeira do Campo e Vila Rica (hoje Ouro Preto). Buscou-se recompor a trajetória do autor, desde seu nascimento em Felgueiras, e imbricar suas particularidades – como morrer na terra da opulência do ouro, nada possuindo de seu além de um escravo e um “cavallo” – com a contextualização histórica. As alianças que estabeleceu – ora com os negros africanos, ora com os “donos do poder” local – descortinam um pleno jogo identitário, onde tornar-se próximo significava a sobrevivência na distância.

Clique aqui para ler o resumo do artigo, sobre sua autora e o arquivo na íntegra (PDF).

Sobre o autor:

Fernando Araujo, mestre em Sociologia da Cultura/Antropologia, UFMG/Brasil; professor de antropologia, FEAD-MG/Brasil; idealizador da CVA.

Atualizado em 04/09/13